Pela noite fora

No meio disto, o incómodo, o monótono, o cansaço, não há moral para nos queixarmos... [A Janela do Ocaso].

Voz de arrais

* Zangado com o José Gomes Ferreira e comigo por isso irritado, encontro-o hoje, domingo de tarde, a prefaciar «O escritor confessa-se», que recomecei a ler, a cidade vazia de portugueses... [A Janela do Ocaso].

* Hoje pela hora do almoço encontrámo-nos. Ele educado e moderado, hesitante numa palavra mais rude, eu já à beira do desbragamento verbal, cansado de ser bem educado... [A Revolta das Palavras].

Manhã pelo Chiado

Hoje fui aos livros e vim para a casa com a alegria na forma de sacos em plástico atulhados de alfarrábios... [A Janela do Ocaso].

Provas a granel

Foi sobre isso que escrevi precisamente, numa lamúria biográfica de uma vida que me roubaram... [O Ser Fictício].

Um sono de morte

* No dia 25 de Abril eu estava na Quartel em Mafra, na especialidade de Armas Pesadas de Infantaria, mau grado a ironia de pesar quarenta e oito quilos... [A Revolta das Palavras].

* Cansado, esgotado e exausto, dia feriado é oportunidade para dormir impunemente, horas a fio... [A Janela do Ocaso].

* «Eis o Vademecum do Cosmonauta,uma autêntica jóia eis a verdadeira caixa de pandora!.. [A Posta Restante].

* Acho que descobri a fórmula: tenho mesmo de fazer as pazes com o Direito!.. [Cum Grano Salis].

* Fui então ler «O Testamento do sr. Napumoceno da Silva Araújo», aquele que escreveu: «sempre considerei a escola a enxada do pobre»... [O Ser Fictício].

Premonitório

O livro de versos chama-se «Comigo, versos de um solitário», o último dos poemas «A morte»... [A Janela do Ocaso].

Hoje vou a provas

Este fim de semana estive em Matozinhos, entre escritores e outros artistas. Foi um refrescamento amigável, ver quem são os que escrevem a escrita com que viajamos pelo mundo do sonho, do consolo e da fantasia. O encontro era precisamente dedicado à Literatura e Viagens [A Janela do Ocaso].

O cavaleiro da triste figura

O deprimido Vergílio Ferreira, quando escrevia a sua «Conta Corrente», irritava-se consigo mesmo por estar a escrevê-la, naquela forma de diário em que dava conta das suas insuficiências e inferioridades, o que o Eduardo Lourenço tanto lhe censurava.
No lírico José Gomes Ferreira surpreendi a patética confissão de achar uma vergonha ter sido o Luís Pacheco condenado, por difamação, a uma multa e ao mesmo tempo ele saber, por antecipação, que não iria contribuir com um chavo para o peditório que se estava a organizar para socorrer o que achava ser uma vítima do injusto «fascismo» cultural.
No bilioso Jorge de Sena escandalizei-me ao ver como ele hesitava vergonhosamente em assinar as listas do MUD, a oposição ao salazarismo, com medo de não ser incluído, por retaliação governamental, numa comitiva oficial que ia à Índia.
É por isso perigoso esceverem-se diários íntimos e ainda por cima publicá-los.
Correndo todos os riscos, mesmo o de passarem-se dias sem que eu venha aqui, descobri hoje que escrevo em «auto-punição». Disse-mo alguém que muito respeito. Talvez seja mesmo assim.
Por isso esta madrugada, fustigado pela vida, atado ao pelourinho do dever, a lamber, esgotado, as feridas da alma, não escrevo! Se o fizesse, passava, ridículo, pela triste figura de ter pena de mim. Ora para vergonhas já chega...

E agora José?

Da próxima vez que o primeiro-ministro vier com aquele ar empertigado que o caracteriza como um ademane de importância, exigir «rigor» e «uma «cultura de qualidade e de exigência» aos portugueses, permitam-me que me largue a rir dele e a chorar pelo país... [A Revolta das Palavras].

A Casa

Há muitas palavras que eu nem sabia que existiam na língua portuguesa, outras que se calhar nem existem mesmo: «acartazado» é uma delas... [A Janela do Ocaso].

Encontro na cidade

Hoje, Luís Miranda Rocha, disseram-me que tinhas morrido. Há séculos que não sabia de ti... [A Janela do Ocaso].

O dia do orelhudo

* Já compreendi. O fulano, que em entrevista a Maria João Avilez a si mesmo se chamara, «um animal feroz», andava à caça!.. [A Revolta das Palavras].

* Por falar em Páscoa e em coelhos, lembram-se de um tabuleiro de xadrez apreendido na casa do socialista Jorge Coelho... [A Revolta das Palavras].

A saudade transfigurada

* Lembro-me disto, felizmente ainda a tempo, neste momento em que estou a pensar ir dar uma volta, talvez a São Pedro de Moel... [A Janela do Ocaso].

Finalmente, feriado!

* Com a oposição e seus licenciados comprometidamente calados, José Sócrates vai aguentar-se no lugar... [A Revolta das Palavras].

* Vá lá Zé, se não podes devolver os pendericalhos, ao menos não fales neles!.. [A Revolta das Palavras].

* Eu não sei se cheguei a dizer aqui que li o «Calçada do Sol», o pequeno livro biográfico que o José Gomes Ferreira escreveu... [A Janela do Ocaso].

Uma vida a seguir

* A paródia sobre as habilitações académicas do primeiro-ministro continua, o currículo do mesmo vai sofrendo variações à medida... [A Revolta das Palavras].

* Esta noite, envergonhado enfim de tanta ausência, peguei no «Tempo Escandinavo», o livro que José Gomes Ferreira escreveu por causa da circunstância de, aborrecido com o Direito, ter sido cônsul na Noruega... [A Janela do Ocaso].

* Sentido hoje, memória de um tempo feliz, desse dia ficou apenas esta fotografia... [A Posta Restante].

Aquém do tiro

No livro de contos que entreguei à editora para publicação há um momento em que eu escrevi: «A ideia de escrever um livro e que a escrita de um livro me é possível, surgiu-me hoje assim. A partir daí, desse momento genético primordial, não mais houve sossego em mim. Dei-me na cabeça o tiro da loucura». Talvez por isso eu devesse não o ter escrito: em nome da sanidade alheia, aquém do tiro, perdida a cabeça.