Sempre a aquecer

* Nunca vi uma acusação tão grave sobre os nossos legisladores e acho que nunca verei qualquer réplica a este repto. Não que o assunto da ambiguidade das leis não mereça discussão. O problema é saber se há quem perca com a discussão, nem que seja a cabeça... [A Revolta das Palavras].

* É que a situação é esta: ante uma lei que prevê para certo crime pena superior a cinco anos e julgamento por colectivo, o MP manda que não se aplicará pena superior a tal limite, ordena o julgamento por tribunal singular e o todos obedecem... [Cum Grano Salis].

* Será pior uma verdade prevalente ou várias verdades convenientes?... [comentário a um post/comentário no Cum Grano Salis].

* Dei conta ao reler-me, o que raramente faço, pois nunca tenho tempo: uma pessoa regressa de férias, enfronha-se na profissão, cheio de bons propósitos organisativos, a querer que ela seja apenas uma parte da sua vida, necessária mas que não ultrapasse o suficiente... [A Janela do Ocaso].

Dia de calor

* Pergunto-me é se não faria sentido [talvez no quadro de uma reforma do processo penal] e precisamente por causa daquela regra constitucional, prever o princípio da prevalência do processo penal em termos de fazer sustar até ao trânsito em julgado da decisão penal qualquer outro procedimento disciplinar que tenha como fundamento os mesmos factos... [Cum Grano Salis].

* Há um português adora exprimir-se por meias-palavras, e dizer as coisas graves a meia-voz. É o português que vive a vida social como uma sacristia beata e o exercício da opinião como uma variante do confessionário. Vem isto a propósito dos desempregados... [A Revolta das Palavras].

Hoje regressa a turba motorizada

* A obrigação de um político é, no pau de sebo que é a política, aguentar-se no poder. Mal lá chega, há logo a chusma dos opositores e dos correlegionários para ao arrearem. .. [A Revolta das Palavras].

* No caso dos recursos interlocutórios retidos o TC teve de actuar por mais de uma vez, para cercear o critério purgativo que ameaçava grassar... [Patologia Social].

* Comentemos, pois, a alteração que a Unidade de Missão propõe para o artigo 1º do CPP. Não se diga que é logo embirrar como primeiro artigo. É antes um gesto de boa-vontade cívica... [Cum Grano Salis].

* Mas há neste Anteprojecto de CPP algo mais que gera perplexidade: porque motivo manteve o legislador a ausência de regulação jurídica quanto a um dos pontos nevrálgicos de um processo penal que se queira digno do espíteto de acusatório, o problema do caso julgado e da litispendência?. . [Cum Grano Salis].
* Não são desejos lúbricos, que os há, é apenas, por vezes, a vontade de avançar sobre a cidade, tal qual assim, de ariete impante, mandando-os a todos...para o outro mundo. Pictoricamente, claro está! [Visto no blog Legendas & Etc.: um bom domingo!].
* Só mais uma: a douta resposta termina assim, de modo científico: «se ele ficar roxo ou se a mandar dar uma curva, não se admire...». Já percebi: é capaz de ser uma questão de falta de curvas... [A Revolta das Palavras].

Porque hoje é sábado!

* Compreende-se, inconformado, quanto o nosso sistema penal traduz a concepção autoritária de um MP que nunca perde, não se queira é transformá-la em conceito operativo contra os arguidos para os fazer perder, sem apelo nem agravo... [Patologia Social].

* Acabou «O Independente». Quando surgiu, dizia-se que a redacção era metade a Universidade Católica e metade recrutada no «Frágil», uma boîte in da Lisboa nocturna. Azougado, foi um jornal que pôs a malta nova a ler jornais, coisa nunca antes vista ou alguma vez imaginável... [A Revolta das Palavras].

* Li «O Independente», processei «O Independente», ri-me com «O Independente», irritei-me com «O Independente». Num momento de fúria disse-lhes que aquilo era «jornalismo de pé descalço»... [comentário no Incursões].

* É que tem sido essa a pecha endémica do nosso sistema penal, o ser o palco de uma luta de galos, entre o MP, os juízes, os polícias e os advogados... [no Cum Grano Salis].

* Encontrei o meu caminho, ainda por cima um caminho de legalidade, justificado pelo Direito... [O Ser Fictício].

Não guardes para amanhã

* Amanhã dizem que abrem os tribunais. Mas será que fecharam?... [Patologia Social].

* Há livros com compramos por acaso e com relutância, e que lemos por causa da realidade e da sua repugnância. Logo este que abre com «a tragédia do homem esta na ignorância de si e do Universo que vive, ou antes, convive», torna-se, envelhecido, situado, num livro de sempre... [
A Geometria do Abismo].

Alvoroçado

* Imagine-se o alvoroço de imaginar em alguém mais vida do que a que sonhamos ter conhecido.... [Maria Ondina Braga]

De bem comigo

* O jornal «Público», na sua edição de ontem, teve e gentileza de publicar algumas respostas que me pediu a perguntas que me formulou sobre o mandato do actual PGR... [Patologia Social].

* Ao ver hoje aquela cidade-cenário, palco de uma itinerante comédia de rua, a contínua passerelle da beleza efémera e do exibicionismo do que é bem, sente-se que é de facto «impossível perdoar às leis da Natureza»... [A Janela do Ocaso].

* No Verão de 1936, Ralph Fox, um fundador do partido comunista britânico, que havia escrito uma biografia de Lénine e outros livros sobre o marxismo, veio a Portugal, a caminho de Espanha, onde se alistaria nas Brigadas Internacionais, contra as forças de Franco... [O Mundo das Sombras].

* A frase vem num livro, em geral sem grande interesse excepto por alguns momentos de ironia. É posta na boca de uma nervosa passageira francesa, em barco de emigrantes, de «compleição desbotada»... [O Ser Fictício].

* Um sentimento apátrida, invade-me o ser, como se um nómada, para quem tivesse morrido a família primeiro e lhe tivessem destruído a aldeia depois... [A Janela do Ocaso].

Inexoravelmente

* Soube agora que morreu Álvaro Veiga de Oliveira. Há sempre algo de trágico na naturalidade que é a morte. No caso foi ter lido que se soube hoje ter ele morrido quinta-feira, com tudo o que isso significa de nos apercebermos do que, afinal, inexoravelmente já passsou... [A Revolta das Palavras].

* Segundo li aqui «os fumadores de cachimbo que inalam vivem tanto como os não fumadores e os que não inalam vivem mais que os não fumadores»... [A Revolta das Palavras]

Domingo de jornal

* Houve um tempo, o do estoicismo, de se guardarem, como sendo da vida íntima, as doenças graves e os problemas familiares. Hoje, pelo contrário, sabe-se pela imprensa quem tem cancro na próstata ou doença séria na coluna...[A Revolta das Palavras]

* Uma das coisas que aprendi com os que sofrem na pele um processo criminal no qual se sentem injustiçados é que há um momento em que passou tanto tempo, tanta é a desorientação, tal foi o desespero, que já se contentam com qualquer coisa... [Patologia Social]

Regressado, enfim!

* É assim esta insatisfação itinerante do português. Sinto-me um deles. Não nasci aqui, mas é aqui que me sinto em casa... [A Revolta das Palavras]

Um horizonte perdido

* No caso um dos personagens do que leio tinha perdido há muito a crença na perfeição da espécie humana; pior, estava já amargamente convicto de que os indivíduos faziam sofrer os outros pela sua brutalidade, a sua malícia, a sua faltade compreensão. Por isso mesmo convivia melhor com as ideias abstractas da reforma social, a igualdade de oportunidades, em suma, a fraternidade humana... [A Janela do Ocaso]

Um momento da vida

* Imagine-se num local onde nada se entende do que dizemos e não entendemos o que nos querem dizer... [A Janela do Ocaso]

Os últimos dias

* O motorista que nos conduz benze-se ao passar em cada Igreja. Hoje, já só o próprio Deus o poderá surpreender... [A Janela do Ocaso].

A rua do desinteresse

* Estou longe de casa, numa cidade com pouco mais de duzentos anos, um museu ao ar livre, replicando em arte o que de melhor a Europa tinha e as colossais fortunas podiam comprar, caixa de bonecas, de corpos espectaculares que se pavoneiam ante a rua do desinteresse...[A Janela do Ocaso].
* Longe, muito longe, em terra estranha, posso pela Net saber o que se passa no Governo e no que deles dependem. Prefiro saber como andam os meus filhos. Digam-se ser a rebeldia da cidadania... [A Revolta das Palavras]

A mentira

* Nas suas lições de Direito Penal o Professor Marcelo Caetano lamentava-se de não as ter podido escrever melhor mas, vencendo como professor o ordenado equivalente a um primeiro oficial, tinha, para fazer face às despesas de sua família, de se dispersar em outras actividades [Patologia Social]

Partindo em viagem

* Acho que o Verão está a acabar, ou pelo menos as férias. O tempo começa a arrefecer e eu sinto-me cansado já delas... [A Janela do Ocaso].

* Concebido desnaturadamente «tal a primeira mulher do mundo, segundo Confúcio concebera da própria sombra»... [Maria Ondina Braga]

Complexos

* O complexo de inferioridade do português leva-o a ser deferente com os poderosos, que, no fundo, inveja. A sua ruralidade ancestral leva-o a defender a sua courela e os que de lá vieram, por raiva aos que de lá não são... [A Revolta das Palavras].

* Peço pois o favor a todos quantos lerem o que eu possa aqui chorar, de se rirem disso às gargalhadas... [A Janela do Ocaso].

* Como todo o que sonha a multiplicação do gozo, regressa ao real envenenado de desprezo pela humanidade e pelo Deus que a criou. Querendo gozar, sentiu-se gozado... [O Ser Fictício]

O dia de amanhã

* Amanhã, por exemplo, é feriado para que nada aconteça na vida de muita gente... [A Janela do Ocaso].
* Digo-o agora, por não poder conter mais a raiva: é a minha mãe. Felizmente o filho levou-a da outra vez e desta vez a um Hospital Privado. O filho tem dinheiro, o filho é conhecido, a mãe foi enfim bem-tratada e isto é um país de merda! [A Revolta das Palavras]

Reflexamente

* Vi esta noite, ao chegar a casa que começara a ler o livro, sem o ter terminado e, afinal, sem o ter compreendido. Voltei a ele, tal como ela, com «o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada»... [A Janela do Ocaso]

Tranquilo, enfim

* Afinal o escritor Günter Grass foi membro das SS nazis. Achou que agora é que era a altura de o confessar, depois de ter sacado, convenientemente calado, o prémio Nobel da Literatura... [A Revolta das Palavras].

* Eu cada vez mais levo a vida menos a sério, daí andar com ar de perú. Além disso escrevo curto, e pareço galinha a esvoaçar pelos problemas. O problema é não acreditar já na inocência de muito do que anda pelo Direito, o que pode dar-me ares de pavão... [Patologia Social].

* Li para aí que a polícia vai passar a ter equipamentos para vigiar as conversas no «chat». Primeiro, foi o abrir cartas, depois escutar telefones, logo a seguir telemóveis, os faxes, depois enfim os emails. Agora são os «chats»... [A Revolta das Palavras].

* Tenho-o aqui comigo, ao livro, aberto naquele página em que fala «nas metas exageradas para me entreter a tecer futuros, enquanto esperava que a morte viesse soluccionar o problema com o fechar-me os olhos de desistência forçada»... [O Ser Fictício].

* Os ingleses, os da nossa mais velha aliada, não perdem oportunidade, sobretudo no Verão de emporcalharem o turismo algarvio, para onde viajam aos magotes, muitos para sairem daqui que nem lagostins, empanturrados de cerveja... [A Revolta das Palavras].

* Eu sinto que o «Expresso» anda angustiado por causa do «Sol». Eu também, mas por causa do sol dardejante deste Verão. Mas este sábado o «Expresso» foi notícia aqui na praia... [A Revolta das Palavras]