Ganhos constantes

* O senhor ministro da Justiça, num arroubo literário lembrou-se de dizer, no Centro Cultural de Belém, que o monstro que ameaçava a Justiça está a emagrecer... [A Revolta das Palavras].

* Hoje vem no DN que o senhor declarou 280 mil euros de rendimentos... [A Revolta das Palavras].

Escritos e escritos

Aos possíveis leitores destes meus impossíveis blogs que tenham recebido qualquer circular a propósito dos livros que eu escrevo ou da apresentação dos livros que eu escrevi, e que possam ter ficado com isso melindrados, julgando ser abuso valer-me da sua condição amiga de leitores para, qual vendedor de enciclopédias, lhes impingir a minha escrita, mil perdões se equívoco houve. Um dia em Paris vi um escritor desesperado que passeava um carrinho de bébé atulhado dos seus livros invendáveis, com um dístico comovente «um pai vende os seus filhos». Aqui não é o caso. Se eu fosse janela punha escritos a anunciar «aluga-se». Não o sendo, às vezes acontece assim, venho para a rua fazer «trottoir», a perna ao léu, na mira de que alguém se agrade.

O dia da santa preguiça

* Como já notou quem me lê, se me lê e se gosta do que lê, eu há muito que não escrevo por ter descoberto nada haver mais para dizer... [A Janela do Ocaso].

* Não, senhor PGR, não são os jornais, lamento dizê-lo, onde há jornalistas sérios e impolutos e os não há também, quem fez com que houvesse uma nova ética reprovadora da corrupção... [A Revolta das Palavras].

Caderno de lembranças

Nem sei como, mas compreendo porquê, consegui ler, aos poucos, o «Caderno de Lembranças» do Agostinho da Silva... [O Ser Fictício].

O dia de São Niguém

* Pequeno, o livro é um convite para que o tenhamos como companhia num intervalo da vida obrigatória... [A Janela do Ocaso].

* O Dr. Cunha Rodrigues dizia, com aquele estilo de sublimado corrosivo com que irritava os outros políticos, que tinha um problema grave com a comunicação social.. [A Revolta das Palavras].

Caíram as máscaras!

* De quando em vez, quebrando a monotonia do lugar, lá vinha a carrinha da Fundação, atulhada com livros, para empréstimo domiciliário... [A Janela do Ocaso].

Letras impressas

* Jorge Sampaio, quando foi Presidente da República e se irritava, e irritava-se muito, dizia coisas e acrescentava: «como é evidente!»... [A Revolta das Palavras].

* «O Estado rouba, rouba o Estado», está escrito numa parede em Lisboa... [A Revolta das Palavras].

* Eu, que já escrevi sobre algumas vidas alheias, sei que assim é: inventei-me através delas, ficcionando-me no que não sou... [O Ser Fictício].

* Este verbo tem de ter, para que eu seja feliz, a forma reflexa, diga o que disser a gramática... [A Janela do Ocaso].

O Rei Momo

* Acho que foi ontem que vi o Presidente do Governo Regional da Madeira a falar na falta de testículos no Continente... [A Revolta das Palavras].

Ressacado da dor

* Vive, enfim, só. Mandou-me uma mensagem com o número do telefone... [Posta Restante].

* Um director de jornal hoje é demitido porque o jornal não vende... [A Revolta das Palavras].

* Trouxe-a para casa, à biografia do Alexandre O'Neill. A biógrafa nasceu em Viseu, onde, vindo de África, eu nasci interiormente... [A Janela do Ocaso].

* Outro dia, ao ter de falar dela, creio que lhe referi a escrita «rendilhada»... [Maria Ondina Braga].

* Desculpem ter vindo aqui, a este lugar, com isto, depois de tanto tempo fugido para escapar à prisão da vida... [Cum Grano Salis].

* São pelos vistos três mulheres alfarrabistas nesta cidade de Lisboa... [O Ser Fictício].

* É fantástica esta forma croniqueira de um governante se pronunciar sobre um assunto oficial... [A Revolta das Palavras].

Adivinha quem vem jantar!

* Quase no fim do jantar veio a frase «conhecer é ser»... [Geometria do Abismo].

* Há dois anos espantou um alfarrabista de rua ao interessar-se por um livro sobre Picasso e ao insistir comigo para que lho comprasse... [A Posta Restante}.

O parafuso

Se ainda há leitores por aí, desculpem estas constantes ausências. Vou tentar amanhã, que é domingo, voltar aqui, animar-me por ter vindo. Hoje andei de loja em loja à procura de um parafuso. Ridículo eu sei, mas a vida é isto mesmo, nem sempre tudo ter grandeza nem lógica que a suporte. Sem ele, o minúsculo parafuso, cai-me o botão que liga e desliga o computador. Tudo aconteceu por ele andar aos trambolhões na mala do carro, por causa de mim e da minha errante vida itinerante. Dirão os que me detestam que já tinham notado que me falta um parafuso. Por isso, nem sei se agradeça a quem o encontrar; no fundo, sinto-me bem assim, desatarraxado de todo.

O carteiro

* Há no momento mágico em que uma mãe volta a sê-lo, através da filha que criou, o indizível da Natureza a cumprir-se... [A Posta Restante].

* Consegui recomeçar a ler. Lentamente... [O Ser Fictício].

* Hoje andei a entregar cartas. É bom isto, o fazer de paquete, e saber assim onde são as portas e quem as abre... [
A Janela do Ocaso].

Regressado da mata!

* No caso da Dra. Maria José Morgado, que se meteu por estes atalhos, hás três coisas fantásticas... [A Revolta das Palavras].

* Como devem ter notado, andei por aí a ganir, com o futuro cadáver a estrebuchar. Felizmente o organismo tem uma enorme capacidade de se auto-regenerar e mais felizmente ainda ele fabrica com a doença a milonga que o cura. Cá estou de volta. Obrigado aos que se preocuparam e ajudaram a ter vontade de melhorar.

Maré alta

O senhor Artur estrebuchava, aflito, os seus oitenta e tal anos tornados naquele escanzelado corpo, em convulsões... [A Janela do Ocaso].

Pela hora do sol

Guardiões da panaceia espiritual, desconfiados ante as maleitas que não enxergam, mestres da medicina metafísia, os chineses... [Maria Ondina Braga].

Imagens e quadradinhos

* Perca tempo e imagine-se como os outros o vêem... [O ser fictício].

* Permitam-me que, retirado do mundo real, eu me tenha refugiado, asilado, no mundo da banda desenhada, vivendo aos quadradinhos. Estou aqui.

Fala do homem nascido

Há, a ilustrar a exposição evocativa do António Gedeão, que está na Biblioteca Nacional, uma entrevista com a sua pessoa, nos últimos tempos em que viveu... [Geometria do Abismo]-

Envolto no erro!

Começo a suspeitar que há por aí uma Natureza demoníaca e viral que se tenta apoderar dos corpos melancólicos e se diverte a esfacelá-los... [A Janela do Ocaso]

Utopia de um homem que está cansado

* Folheei-o, ontem, ao livro da poesia completa do Anrique Paço d' Arcos de que a Imprensa Nacional deu à estampa agora a segunda edição... [O ser fictício].

* O Livro de Areia de Jorge Luis Borges é a alusão em conto a um livro monstruoso, infinito, em que a cada página sucede sempre outra página, um livro sem princípio e sem fim...[Geometria do Abismo].