Assente o pó!

* Segundo a imprensa, «os funcionários públicos que apresentem sinais exteriores de riqueza «não condizentes com a declaração de rendimentos» poderão ser alvo de processos disciplinares, segundo a nova Lei Geral Tributária».... [A Revolta das Palavras].

Maravilhosa ondulação

* Por causa da racionalidade do gesto, esfalfo-me na irracionalidade do esforço... [O Ser Fictício].

* Viagem ao passado, o voo em vias de partir, última chamada... [A Provisória Translação].

* Há entre os orientais, o hábito de nesse dia comprarem um animal em cativeiro, como um pássaro numa gaiola... [A Janela do Ocaso].

A cidade vazia

* Esta noite arrumei em mais uma gaveta o meu passado perdido: os livros que deveria ter lido, a música que gostaria de ter melhor ouvido, o mundo por haver, uma vida que já não é possível reviver [A Provisória Translação]. Fica tudo aí, assim.

* A reacção dos engenheiros não tardou. Os alunos do IST mobilizaram-se numa greve académica, cujos efeitos, prolongando-se para lá do golpe militar de 28 de Maio de 1926... [A Revolta das Palavras].

* Terminei a leitura ia alta a madrugada. Compreendi, solitário, o plural da capa, o mundo dos outros, a noite das fantasias... [Clarice Lispector].

* Não me ri porque me apeteceu chorar. Razão teve o Camilo para dar um tiro na cabeça!.. [A Janela do Ocaso].

O vento à solta na cidade

* Hoje cheguei a Lisboa, a cidade revirada de vento... [O Ser Fictício].

* Eu regressava de de comboio com vontade de viajar de comboio... [A Janela do Ocaso].

Puxa, Conde!

* Cheguei agora, ao Hotel da Estação, e cruzei-me na recepção com o revisor e o maquinista, que vão também pernoitar por aqui... [A Janela do Ocaso].
* A revista «Sábado», na sua edição de hoje publica uma entrevista comigo. O jornalista Nuno Tiago Pinto, com profissionalismo, conseguiu surpreender o essencial da minha pessoa.
Há só duas pequenas gralhas, naturais e que sucederam pois não revi o texto, que saíu tal como a sua liberdade jornalística a concebeu.
A primeira é que o meu pai não era «primo-neto» do «conde» de Barreiros, que fundou o colégio e seminário da Via Sacra, onde estudou Salazar. O meu pai era sobrinho do «cónego» Barreiros e foi condiscípulo nesse Colégio do então ali prefeito António de Oliveira Salazar.
A segunda é quando apareço a dizer que «em África não havia distância ente brancos, negros e mulatos» e que foi ao chegar à Metrópole que me chocaram «às diferenças sociais entre os que tinham e os que não tinham». A primeira frase ficaria melhor se estivesse escrito «em África não havia tanta diferença entre os que tinham e os que não tinham, mesmo entre brancos, pretos e mulatos». Havia diferenças sociais, económicas, raciais, embora houvesse maior proximidade entre as pessoas. Se houve coisas chocantes que ainda hoje guardo na memória era o dístico que estava no melhor cinema da terra - havia dois - a apregoar «não é permitida a entrada a indígenas»!
Que me desculpe o jornalista. Eu, que no falar coloquial sou algo trapalhão, posso ter dado azo aos lapsos. Quem tem de falar tantas vezes em público, por causa da profissão, tem direito a alguma preguiça verbal de quando em vez. Depois saem estas!

A presença insuportável

* Agora que um Governo ameace quem reclama fiscalmente de lhe quebrar o segredo bancário, é mais do que uma imoralidade... [A Revolta das Palavras].

* Os contemporâneos de uma tal alma deveriam sentir-se envergonhados... [Maria Ondina Braga].

Ainda não fui à praia, mas hei-de ir!

* Um dia calha perguntarem porquê, sem darem conta que não se lhes respondeu.. [O Ser Fictício].

* O problema é saber se cada tribunal fala por si se, concertadamente, através do Conselho. Vendo esta lei, conclui-se que, pelos vistos, através do Conselho é que não falam... [Patologia Social].

* Andei à procura de um livro. Sabia que era edição de autor... [A Revolta das Palavras]

À conversa com

* Isto foi assim visto em 1902, num Portugal eterno nas virtudes, perene nos defeitos... [A Revolta das Palavras].
* O Governo conseguia levar a sua a bom porto. No dia 8 de Janeiro, eram tornadas públicas três propostas de lei. Alberto Costa que no início do seu cargo viu a cabeça a prémio, prosseguia a sua corrida pelo corredor da morte, mostrando, sob a batuta autoritária do primeiro-ministro, que quando os Governos querem, fazem!... [Patologia Social].
* Todos os seus escritos manifestam a visão psicopatológica, nele quase obsessiva, enquanto explicação para a complexidade do ser humano e da errática sociedade... [Posta Restante].
* Foi no dia 6 deste mês que estive, na Antena-1, à conversa com o Pedro Rolo Duarte, sobre a blogoesfera. Para que eu próprio não me esqueça como é que se chega lá, no labririnto que é o «site» da RTP, aqui fica: é aqui!

Amanhã vou de bote

* Como naquela escrita tão íntima perpassa o amor que ele nutria pelo irmão António José, que lhe ganhou a dianteira no caminho para a morte!... [A Janela do Ocaso].

* Sabendo que os oito meses e os doze meses de duração máxima dos inquéritos penais de arguidos livres, são um mero pro forma, bom para exibir em colóquios internacionais a ouvintes crédulos, seria interessante saber qual a idade desses inquéritos mais «antigos»... [Patologia Social].

* À atenção da Câmara Municipal de Lisboa, ao cuidado do departamento de urbanismo... [A Revolta das Palavras].

* Lembrando, ao citá-la, uma frase de um conto do meu livro «Contos do Desaforo»... [O Ser Fictício].

* Estamos num país em que manda o Estado com suas leis, mandam as as corporações com os seus regulamentos. Só isso, que é nosso, dá para pensar... [Geometria do Abismo, lembrado no Patologia Social]

* Eis pois, fruto desta escavação arqueológica pelo Código Civil, um dos alicerces de uma filosofia jurídica portuguesa, a perenidade civil das «normas corporativas» [Geometria do Abismo, segunda parte de uma reflexão, noticiada também no Grano Salis].

Amanhã vou à praia! Juro!

* O quadro é da Elisa Maria Sousa. Chamou-lhe «Geometria do Abismo», em homenagem amiga ao blog do mesmo nome... [Posta Restante].

* Ninguém acredita na individualidade da pessoa, na liberdade do ser, no improvável da conduta humana [A Revolta das Palavras].

* Valeu a pena ter ido lá, encontrar a mordedura do ofídeo psicológico que me mordeu e que nem as férias conseguem curar... [Geometria do Abismo]

* Nada como uma boa jantarada para fazer esquecer a azia de uma má almoçarada [Patologia Social].

Em obras

* Com tanta aceleração, continuamos sem Código. O ministro ao mesmo tempo que acelera, carrega na embraiagem. Só pode! [Patologia Social, recordando Novembro de 2006].

Um extraordinário livro

* Acabei de ler um extraordinário livro que sendo sobre o culto do chá é, afinal, uma escola de vida... [A Janela do Ocaso].

* Uma mão amiga fez-me chegar poemas do José Gomes Ferreira. Um deles é precisamente sobre a arte de saber morrer com aquela mansidão alva de quem se vai de consciência tranquila.. [A Reciclagem do Ser].

Regressado a Sul

* Lembrei-me disto, no comboio descendente, de Entrecampos a Loulé... [A Revolta das Palavras].

* A agência Lusa, citando relatório do Conselho da Europa, mostra que o nosso país tem «12,8 advogados por juiz». Maior desproporação só em Aljubarrota, de facto!... [Patologia Social].

* Vem isto no site da Biblioteca Nacional, a propósito de uma exposição documental sobre Jorge Dias... [A Janela do Ocaso].

* O meu amigo sábio disse-me um dia que a obra que fica é aquela que eu não renegar após uns anos de edição. Oxalá os anos passem depressa... [O Ser Fictício].

Uma surtida à capital

* Os Zarcos, os Gamas de hoje enfrentarão os Adamastores contemporâneos de escafandro! [A Revolta das Palavras].

* A abertura progressiva dos arquivos russos é uma realidade, embora por vezes aparente para o investigador ocidental... [O Mundo das Sombras].

Fogo de artifício

* Ou estarei neste modo de dizer já patologicamente autotélico?... [Espantosa Língua].

* Reencontrei no arquivo da RTP2 o vídeo de uma entrevista, dada em 16 de Fevereiro de 2007, a Paula Moura Pinheiro, em conjunto com o Francisco Teixeira da Mota... [O Mundo das Sombras, em obras de arrumação].

* A minha próxima iniciativa vai ser uma conferência em Setúbal sobre o agente checo Paul Fidrmuc, cognome «Ostro»... [O Mundo das Sombras].

* O infiltrado tem de ser alguém com valores e honesto mas que, para se infiltrar, e não se revelar junto do meio onde se infiltrou, tem de parecer o contrário, tem de praticar actos que não são os de quem tem valores e é honesto [Patologia Social].

Tirando férias de mim

* Há um semanário que explica hoje aos leitores qual vai ser a minha linha de defesa num processo em que sou advogado... [A Revolta das Palavras].

* E eu que tenho andado todo o ano pelo Parque das Nações à procura da Boa-Hora, por causa de um julgamento criminal, e não a encontro?... [Patologia Social acerca do ano judicial, agora interrompido].

* Eu sou Advogado e apesar de tentar levar a vida com bonomia, vivo num mundo de gente cinzenta.. [A Revolta das Palavras].

* Como, nos termos da lei, as afinidade se não quebram com os divórcios... [A Janela do Ocaso].

* Por uma noite imaginei-me um escritor de sucesso com público certo e dormida garantida... [A Revolta das Palavras].

O equívoco

* No sistema de geometria não-euclidiana, a menor distância entre dois pontos é uma curva. O país forense desconfiou que, ante esta conversa, estivesse a ser levado numa... [Patologia Social].

* E decidi-me, agora que o ano judicial interrompeu para balanço, fazer uma retrospectiva, lenta, do que foi e como foi, mês a mês o país legal... [Patologia Social].

* Toda esta grandeza ocorre na pequenez do ser individual, como a infinitude do cosmos num átomo de vida, o todo em tudo, o indizível no já dito... [
O Ser Fictício].

O tempo real

Gravei esta tarde, pelas quinze horas uma entrevista ao Pedro Rolo Duarte. Ali estávamos os dois, numa tarde quente de quinta-feira, num estúdio da Antena 1. Ele disse-me «bom dia», eu retribui-lhe com um «muito bom dia».
É que a entrevista sairá domingo, pelas onze, e haveria que fingir que estávamos em directo. Fingimos, pois, convictamente.
Chama-se a isto na radiodifusão «tempo real», simular para o ouvinte que o passado está a contecer no seu presente.
Vim a pensar nisto, no espaço virtual desta escrita, no tempo convencional da conversa sobre ela. Resta apenas serem imaginários os leitores de hoje, sonhados os ouvintes de domingo, para estar completo o aparente. A entrevista radica no facto de eu ter quinze blogs. Como os tenho, eu também, em tempo real, quem sabe, domingo talvez sejam dezasseis!