O botão de emergência

* Era uma grande livraria... [A Janela do Ocaso]

* Vinha hoje a remoer na sentimentalidade doentia e depressiva do povo português ante os 6-2... [A Revolta das Palavras]

O espaço vazio

Houve tempos em que vinha aqui justificar quando não escrevia e até criar a ilusão de que tinha escrito no dia aquilo que só era redigido no dia seguinte. Era o temor do espaço vazio. Hoje habituei-me a ele, definitivamente.

A ver a banda passar

* Podia ser que assim sobrasse alguma coisa... [A Revolta das Palavras]

* Mas há leitores improváveis, que não imaginaríamos que nos pudessem ler... [O Ser Fictício]

* Quem for verdadeiramente sábio que se livre... [A Revolta das Palavras]

Esperando o alvorecer

* Uma das maravilhas da língua portuguesa é cada palavra ser uma floresta tropical de sentidos... [Espantosa Língua]

* O homem fica à mercê do que não imagina... [A Posta Restante]

A super-visão

* Fernando Pessoa teria de passar pelo vexame póstumo de ver os bens leiloados pela família... [A Revolta das Palavras]

* É a América mental na sua pior expressão, mais infantil... [A Revolta das Palavras]

* Há livros de que só se repara no título depois... [A Janela do Ocaso]

O físico prodigioso

Voltei aqui e fui tentar ver o que se tinha passado entretanto. Talvez por já ser tarde e o dia ter sido cansativo não consigo lembrar nada digno de registo. A bem dizer não me lembro bem qual o último livro que consegui acabar de ler. Ou melhor, lembro-me agora, mas, talvez porque o dia amanhã me vai cansar, nem me apetece buscá-lo e falar sobre o que nele sublinhei.
Voltei aqui como quem regressa a casa depois da viagem. Tirando o que nos esquecemos no frigorífico e entretanto se azedou, tudo nos parece sempre com melhor cara. A química da vida esquece muitas vezes a física do mundo.

Uma pausa

Estou na blogoesfera desde 2005. Apaguei alguns blogs, mantenho muitos. Houve um momento em que fui arrumando a escrita e o número de blogs proliferou, os assuntos eram diversos e cada um passou a ser a gaveta daquela outra parte da minha pessoa. Desmultipliquei-me. De janela aberta ao exterior, gerei efeitos, enganos, erros. Terei escrito por vezes sobre assuntos interessantes, muitos momentos sairam-me bem. Cheguei a um ponto em que a vida se confundiu com a escrita. Perdi amiúde o sentido da proporção. Os sentimentos são imodestos. A multiplicidade de pouco, como uns cacos de vidro colorido num caleidoscópio, gera a ilusão de muito, o arco-íris de umas gotas de chuva projectadas pelo sol.
Há, porém, um dia em que o milagre que gera a criação nos pede uma trégua. Quem exorciza o demónio criador esgota-se ao esconjurá-lo. Acorda-se muito cansado e pensa-se. Na ante-véspera havia um homem obcecado em dar-se a conhecer, às vezes grandiloquente, quantas ridículo, frequentemente ingénuo; hoje, há um que anseia, enfim, recolhimento. Talvez seja a luz do sol que faz doer a cabeça. Faço, pois, uma pausa. Não se estranhe, por isso, o silêncio. É só isto.

À conversa com

Perguntei, por ter hesitado se não seria um acto de vaidade. Resolvi-me. Eis o link da conversa que tive com o Luís Caetano, da Antena 2, a propósito do meu último livro 00Fleming. Está aqui. Que mais não seja fica para eu não me esquecer que também converso e fico contente com isso.
E. T. A conversa começa lá para os vinte minutos da gravação. Mas quem tiver paciência para ouvir, ouça tudo. O programa vale a pena. Quanto à dita conversa, já depende de quem ouvir!

Digamos, pois

Arrecadado a escrever outras coisa que não aqui. Pelas dezasseis horas ouvi-me, na rádio, a dizer mil vezes «digamos». É uma forma de dizer, um tique de quem não quer dizer sozinho.

Os meus livros

Com destaque, diz o crítico que um dos «contras» do meu livro é «demasiada confiança depositada em rumores»... [O Mundo das Sombras]

República

Podia ter escrito sobre a República, mas lembrar-me-ia desta República. Além disso, era feriado. E eu estava cansado de trabalhar.

Dia de revisão

* A princípio irritei-me por fazer tantos erros ao escrever... [O Ser Fictício]

* Só a noite passada venci, voltando a ler, a minha dúvida... [A Janela do Ocaso]

* O carro tinha de ir necessariamente à revisão... [A Revolta das Palavras]